sexta-feira, 11 de março de 2016

Sarney: Um dos ‘coveiros’ do governo do PT

Sarney reinou absoluto nos dois governos de Lula e na primeira gestão de Dilma Roussef. Indicou aliados para postos estratégicos no governo. Lobão, seu indicado para o Ministério de Minas e Energia, é acusado de se beneficiar do esquema de corrupção na Petrobras. A filha, Roseana, também está enrolada na Lava Jato.
 
O beijo da traição

Como ave agourenta, Sarney sai das trevas e murmura com seus pares de ‘golpe’: “Acabou”, referindo-se ao governo Dilma. Foi o que revelou, nesta quinta-feira (10), o  Jornal do Brasil.


“Acabou (o governo). É como Café Filho, Getúlio e Collor”, disse Sarney num encontro com senadores da legenda, que se reúne oficialmente no sábado (12), para a eleição da Executiva Nacional e para deliberar sobre o posicionamento do PMDB na votação do processo de impeachment.

Para mim, nenhuma surpresa com a declaração do ‘coveiro’ José Sarney. O blog já questionava o afastamento de Sarney do governo, principalmente com a eclosão da crise. Como rato em naufrágio, sempre abandona o barco nos últimos minutos. Foi assim com os militares. Foi um dos grandes beneficiários do período de repressão, sempre fiel e leal aos generais. Conquistou o governo do Maranhão com o apoio deles. No apagar das luzes do militarismo, abandonou o barco e pegou carona na redemocratização, assumindo a presidência com a morte de Tancredo Neves.

Mais tarde, foi um dos artífices do impeachment de Fernando Collor, que ousou contrariar os donos do poder no Congresso. A filha Roseana, então deputada, foi a ‘musa do impeachment’. Para não ser julgado e destituído, Collor, já afastado da presidência desde outubro, renunciou em 29 de dezembro de 1992. Collor foi substituído pelo mineiro Itamar Franco. É o que os peemedebistas esperam que ocorra com Dilma para que Temer assuma a presidência.

Sarney reinou absoluto nos dois governos de Lula e na primeira gestão de Dilma Roussef. Indicou aliados para postos estratégicos no governo. Lobão, seu indicado para o Ministério de Minas e Energia, é acusado de se beneficiar do esquema de corrupção na Petrobras. A filha, Roseana teve todo o apoio do Palácio do Planalto, ao longo de seus seis anos de governo. Lula e Dilma propiciaram um período rentável para os negócios da oligarquia. E cadê o reconhecimento, no momento em que os ‘companheiros’ petistas mais precisam. Sarney paga, mais uma vez, com traição.

Durante todo esse período de agonia da presidente Dilma e do ex-presidente Lula, Sarney estava se fingindo de morto. No fundo, já estava com a pá de cal preparada e tramava nos bastidores, com a escória do PMDB, a queda do governo petista.

O próprio vice-presidente Michel Temer tem trabalhado para o enfraquecimento do governo Dilma. Ele tem sonhado com a faixa de presidente. Já até admitiu liberar a bancada do PMDB a votar a favor do impeachment da presidente. Isso pode se confirmar no encontro do PMDB, no próximo sábado. Será o desembarque do principal aliado na véspera de protestos contra o governo e a favor do impeachment?

Se isso ocorrer, sem o principal aliado político, ficará difícil para o governo se sustenta neste momento em que é bombardeado por todos os lados, principalmente pelo cerco da Justiça, que parece colaborar com o ‘golpe’.

Na história de mais um ‘golpe’, o papel de traidor fica para José Sarney.

Gilberto Lima

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