quinta-feira, 24 de março de 2016

Morre Johan Cruyff, um dos maiores do futebol

 
Foi uma das maiores figuras do futebol mundial, como jogador e treinador. O holandês Johan Cruyff morreu nesta quinta-feira aos 68 anos, anunciou o seu site oficial. 
 
Johan Cruyff tinha cancro do pulmão desde o ano passado e chegou a protagonizar uma campanha contra o tabaco cujo lema era: “Na minha vida tive dois grandes vícios: fumar e jogar futebol. O futebol deu-me quase tudo na vida, ao contrário, fumar quase a tirou."
 
Cruyff é considerado um dos maiores futebolistas da história, ao lado de nomes como Pelé, Maradona, Di Stefano, Puskas ou Eusébio, e o seu nome ficou para sempre associado ao "Futebol total", o estilo de jogo da selecção holandesa de que hoje o Barcelona é o melhor exemplo.
 
“Perdi um amigo. O mundo perdeu um grande senhor. Admirava-o muito. Era um jogador de excepção. Foi o melhor jogador de todos os tempos”, reagiu o ex-jogador francês Michel Platini, que até há pouco tempo presidiu à UEFA e que foi suspenso do cargo por seis anos.
 
Como jogador, Cruyff destacou-se ao serviço do Ajax e da selecção holandesa, tendo alinhado também pelo Barcelona e Levante, além dos norte-americanos LA Aztecs e Washington Diplomats.
 
Cruyff ganhou a Bola de Ouro por três vezes (1971, 1973, 1974), como prémio por um período em que ajudou o Ajax a conquistar a Taça dos Campeões Europeus em três ocasiões seguidas (1971, 1972 e 1973).
 
 
Com o número 14 nas costas, o franzino holandês encantou a Europa e ganhou a aura de revolucionário, ajudando a construir a fama da "Laranja Mecânica", a icónica selecção holandesa que chegou à final do Mundial de 1974.
 
 
E se como jogador foi revolucionário, como treinador não ficou atrás. Talvez o seu legado como técnico tenha até um impacto maior. Iniciou a carreira em 1985 no Ajax, transferindo-se depois para o FC Barcelona, que orientou durante oito temporadas e onde foi o ideólogo de uma forma de jogar que ainda hoje é a imagem de marca do clube catalão: o tiki-taka (estilo de jogo que privilegia a posse de bola e as trocas de posições entre os jogadores).  
 
 
No Barça, conquistou quatro títulos seguidos (de 1991 a 1994) e uma Taça dos Campeões Europeus (antecessora da Liga dos Campeões) em 1992, a primeira da história do clube.
 
Cruyff influenciou toda uma geração de treinadores, de que Pep Guardiola ou Jorge Jesus são apenas alguns exemplos.
Terminou a carreira de treinador em 2012, depois de ter treinado durante quatro épocas a selecção da Catalunha.
 
Johan Cruyff foi também um irreverente. Contam-se histórias de que fumava no balneário no intervalo dos jogos e chegou dizer-se que não foi ao Mundial de 1978, organizado pela Argentina, como protesto contra a ditadura argentina. Mas em 2010 o ex-futebolista contou, numa entrevista à rádio Catalunha, que a verdadeira razão para não ter ido ao Mundial de 1978 foi um rapto de que a sua família foi alvo em 1977, meses antes da prova que viria a ser ganha pela Argentina, ao derrotar a Holanda na final. 
 
"Tive uma pistola apontada à minha cabeça, estava atado e a minha mulher. As crianças estavam no apartamento em Barcelona", disse Cruyff nessa entrevista. "Para jogar num Mundial teria de estar a 200%. Há momentos em que outros valores se sobrepõem", acrescentou.
 
Hugo Daniel Sousa                    
                                                                   

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