REYNALDO TUROLLO JR.
DE BRASÍLIA
FOLHA DE S. PAULO
A declaração ocorreu no mesmo dia em que seu irmão Cid Gomes – que também deve se filiar ao PDT neste mês – foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal a pagar R$ 50 mil de indenização a Cunha, por chamá-lo de achacador.
"Cid
Gomes era ministro [da Educação] e denunciou que havia um processo de
apodrecimento das relações do governo federal com o Congresso Nacional, e
que essa deterioração se assentava no achaque, na chantagem. Dito isso,
foi lá, meteu o dedo na cara desse maior vagabundo de todos, que é o
presidente da Câmara – digo pessoalmente, não como PDT–, pegou o paletó e
foi para casa", disse Ciro.
O
ex-ministro ainda criticou a decisão que condenou Cid. "Primeiro, eu
fico muito impressionado com a agilidade desse juiz. Eu vou examinar
isso. Se ele tiver julgado antes de procedimentos mais antigos, ele vai
se explicar no Conselho Nacional de Justiça. Segundo, o meu irmão vai
recorrer. Porque quem fala a verdade neste país não pode ser
criminalizado. Criminoso é quem está denunciado como ladrão."
Cunha foi denunciado pelo Ministério Público Federal
sob acusação de ter recebido propina no esquema desbaratado pela
Operação Lava Jato. Procurada, a assessoria do presidente da Câmara
preferiu não comentar as declarações de Ciro Gomes.
CANDIDATURA
Apontado
pelos novos correligionários como o candidato do PDT à Presidência em
2018, o ex-ministro afirmou que o momento não é de discutir candidatura,
mas de defender a democracia, ameaçada, segundo ele, por "forças hostis
que não aceitaram o resultado da eleição" e que são alimentadas por
forças estrangeiras que têm interesse na Petrobras e no petróleo
brasileiro.
"Hoje,
o moralismo [do discurso pró-impeachment] está a serviço da mais cruel
imoralidade. O presidente da Câmara dos Deputados, hoje, que
infelizmente representa uma maioria de corruptos, é quem tem o juízo de
admissibilidade ou não do impeachment, cuja razão seria um crime de
responsabilidade. Só que nós vamos enfrentá-los", afirmou.
"Vou
lutar por duas coisas neste momento: a defesa da democracia, de seus
ritos, de seu calendário, que considero gravemente ameaçada por uma
escalada golpista, e forçar, no limite que a democracia nos permitir, o
governo que nós ajudamos a constituir a se reconciliar com os valores e
grupos sociais que lhe deram a vitória", disse.
Ciro
criticou a política econômica do governo Dilma Rousseff, principalmente
a alta taxa de juros –que, segundo ele, desestimula os investimentos no
setor produtivo– e mencionou o lucro recorde dos bancos. "O país todo
caindo aos pedaços, a população toda com medo, e um setor tendo lucros
recordes", disse.
"A
presidente padece, sendo uma pessoa séria, de dois problemas graves:
uma equipe muito ruim e uma falta absoluta de projeto", completou.
Apesar das críticas, Ciro não defendeu que o PDT, que detém o Ministério
do Trabalho, desembarque do governo petista.
O
ato de filiação aconteceu nesta quarta (16) na sede nacional do PDT, em
Brasília. Estiveram presentes o presidente do partido, Carlos Lupi, o
atual ministro do Trabalho, Manoel Dias, deputados e senadores
pedetistas, uma comitiva de políticos do Ceará, Estado natal dos irmãos
Gomes, e o governador cearense, Camilo Santana (PT).
Nenhum comentário:
Postar um comentário