sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Biofortificação se torna política de governo no Maranhão


Na Agritec Cocais, governo debateu sobre os cultivares biofortificados. Foto: Divulgação
O Governo do Maranhão debateu durante a 2ª edição da Feira da Agricultura Familiar e Agrotecnologia do Maranhão (Agritec) sobre os incentivos garantidos aos pequenos produtores para estimular a produção agrícola, principalmente na Região dos Cocais, território composto por 17 municípios, com uma população total de cerca de 750 mil habitantes, dos quais 30% vivem em áreas rurais (11.739 famílias assentadas), segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Inseridos nesse cenário, estão os cultivares biofortificados desenvolvidos pela Embrapa, que vêm sendo cada vez mais procurados pela população de agricultores familiares por possuírem maiores teores de ferro, zinco e pró-vitamina A obtidos a partir de cruzamento convencional, além de maior capacidade produtiva.

“O Maranhão abraçará mais ainda os cultivos biofortificados. Temos 90 técnicos atuando nos municípios com menor índice de desenvolvimento humano eles estão sendo capacitados para realizarem de modo eficaz a distribuição desses cultivares, para espalharmos por todo o Maranhão. Nós acreditamos muito na força dos biofortificados para combater a fome oculta e elevar a produção, desse modo melhorando a qualidade de vida da população, que necessita prontamente desse apoio”, disse o secretário Adelmo Soares, após apresentar a cultivar BRS Aracê (feijão-caupi verde) para um auditório lotado de extensionistas.

Como parte das atividades ligadas ao reforço na agricultura familiar, o analista da Embrapa Meio-Norte, Marcos Jacob, visitou assentamentos ao redor de Caxias-MA, muitos quilombolas, para avaliar os sistemas de irrigação, assim como outras necessidades agronômicas, fertilidade de solo e tamanho de área de plantio. A expectativa é que esses agricultores também venham a plantar variedades biofortificadas, em breve.

Na Agritec Cocais, governo debateu sobre os cultivares biofortificados. Foto: Divulgação
As culturas biofortificadas farão parte das ações de programas públicos como o Procaf (Programa de Compra da Agricultura Familiar), que permite ao governo comprar 30% dos produtos da agricultura familiar para o abastecimento de presídios, hospitais, escolas e outras instituições. O PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) também será peça fundamental no acesso a esses produtos, obtendo, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o dobro de financiamento atual. “Esse conjunto de esforços será muito importante para atingirmos nossos objetivos com o Mais IDH, que visa, a partir de 23 projetos, elevar os indicadores sociais nos 30 municípios do estado ainda pertencentes aos 100 IDHs mais baixos do país”, conclui o secretário.

Onias de Santana, agricultor do município de Codó-MA, participou da Agritec em um stand contendo suas variedades biofortificadas, onde pôde falar sobre sua experiência de produção. “Atualmente venho plantando a batata-doce, o feijão-caupi e o milho. As minhas manivas de macaxeira estão produzindo bem e eu espero próximo ano poder ter material suficiente para abastecer a cidade de Codó todinha, semelhante ao que eu alcancei nas colheitas de batata-doce, as quais me permitiram abastecer o estado do Maranhão todo”.

Na Agritec Cocais, governo debateu sobre os cultivares biofortificados. Foto: Divulgação
O trabalho de biofortificação no Brasil é realizado pela Rede BioFORT, cuja líder é a pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Nutti. Todos os esforços em ampliar a biofortificação visam o combate à fome oculta, que é o termo utilizado para designar a carência de micronutrientes no organismo de uma pessoa. Esse tipo de deficiência assola uma em cada três pessoas no mundo.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, 2013), 48% das crianças no mundo com menos de cinco anos de idade apresentam anemia (deficiência de ferro) e 30% possuem deficiência em vitamina A. No Brasil, os números também são altos, tendo 55% das crianças com menos de cinco anos de idade apresentando deficiência de ferro e 13% com deficiência em vitamina A. Essa ausência crucial de micronutrientes no organismo pode provocar uma evolução em sintomas como cegueira noturna, anemia e diarreia, levando até ao falecimento de indivíduos, principalmente crianças, frente a esse quadro de fome oculta.

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