01 maio, 2016

Dilma aumenta bolsa família em 9%, corrige tabela do IR em 5% e denuncia ataque aos direitos trabalhistas

do Brasil 247


A presidente Dilma Rousseff acaba de anunciar, no Primeiro de Maio organizado pela Central Única dos Trabalhadores no Vale do Anhangabaú, o aumento de 9% no Bolsa Família e a correção de 5% na tabela do Imposto de Renda.

"Esse aumento não foi decidido agora e já estava previsto no orçamento", disse a presidente.

Num duro discurso neste domingo, ela afirmou que o golpe parlamentar em curso no Brasil visa destruir a Consolidação das Leis do Trabalho.

"Querem transformar a CLT em letra morta. Sabe como vão fazer isso? Dizendo que o negociado deve prevalecer sobre a lei. Ou seja: menos do que a lei. Nós aceitamos, desde que seja mais do que a lei."

Dilma disse ainda que os golpistas pretendem tirar 36 milhões de pessoas do Bolsa Família, mas anunciou um aumento médio de 9% nos benefícios. Também lembrou que aliados do vice-presidente Michel Temer já anunciaram o fim dos reajustes dos aposentados e da política de correção do salário mínimo.

"Querem acabar com uma política que permitiu a elevação, em termos reais, de 76% do salário mínimo", afirmou. "O golpe é contra a democracia e contra os direitos dos trabalhadores".

A presidente Dilma também falou sobre a promessa do vice-presidente Michel Temer de privatizar tudo o que for possível. "A primeira vítima será o pré-sal", afirmou.

Eduardo Cunha

Dilma também citou nominalmente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e disse que ele foi o principal agente da desestabilização de seu governo. "Não aprovaram nenhuma das nossas reformas. Sabe por quê? Porque o PT se negou a dar três votos que impediriam sua cassação. Até o subscritor dessa peça do impeachment, o advogado Miguel Reale Júnior, ex-ministro do presidente Fernando Henrique, disse que se tratava de chantagem explícita e abuso de poder".

Dilma bateu duro no golpe, ao dizer que "se fazer isso com uma presidente da República, o que serão capazes de fazer com o cidadão ou a cidadã anônima".

Ela afirmou ainda que o projeto que querem impor ao Brasil não é aquele que venceu nas urnas. "Se querem isso, se coloquem sob o crivo do povo brasileiro. Chegar ao poder, sem voto, e numa eleição indireta, não! Não passarão!".

Outros pontos do discurso:

"Já vimos golpe militar, com uso de armas, mas esse é um golpes especial: rasgam a Constituição".

"Os golpistas se alinharam com traidores do nosso lado para fazerem uma eleição indireta".

"Os golpistas são responsáveis pela crise na economia, pelo aumento do desemprego".

"O golpe não é só contra o meu mandato, contra mim, mas contra o povo, a democracia e a Constituição. Quando você rompe a democracia, rompe para todos. É um golpe contra as conquistas dos trabalhadores".

"Eles propõem o fim da política de valorização do salário mínimo, que garantiu, ao longo do governo Lula e do meu, 76% de aumento acima da inflação; o fim do reajuste dos aposentados, desvinculando da política de salário mínimo; transformação da CLT em letra morta, onde o negociado se sobrepõe à lei; privatização de tudo o que for possível, e a primeira vítima será o pré-sal; acabar a obrigatoriedade de gasto com saúde e educação; vão 'revisitar' o Pronatec e o Minha Casa Minha Vida; e acabar com parte do Bolsa Família, beneficiando somente 5% dos pobres, o que representa 10 milhões de pessoas. Hoje são atendidas 47 milhões de pessoas".

"Eu vou resistir. Lutei a minha vida inteira. Lutei e resisti à ditadura. Essa luta é mais ampla. É uma luta em favor de todas as conquistas sociais".

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