quinta-feira, 17 de maio de 2018

O tríplex atribuído a Lula, apenas mais um negócio da família Gontijo

AFP
Tríplex
Fernando Gontijo arrematou o tríplex por 2,2 milhões de reais
A cinco minutos do fim do leilão eletrônico, o empresário Fernando Costa Gontijo arrematou o famoso tríplex do Guarujá atribuído por Sérgio Moro ao ex-presidente Lula. Ele tem até as 14 horas da sexta-feira 18 para confirmar a compra. Se o fizer, sua empresa, a Guarujá Participação, criada em 28 março apenas para comprar o imóvel, será a nova dona do apartamento.

Ao dar o lance mínimo de 2,2 milhões de reais, o empresário pagou mais de 10 mil reais por metro quadrado pelo imóvel, um valor acima da média para a região da Praia das Astúrias, no Guarujá, onde fica o tríplex. Se tivesse esperado um novo leilão, o apartamento provavelmente custaria 80% do valor, caso não houvesse outros interessados.

Ainda assim, o empresário considera ter feito uma boa aposta de negócio. "É um imóvel que tem uma posição privilegiada, de frente ao mar, achei que era um bom investimento", afirmou à mídia.

Fernando integra a família Gontijo, uma das mais ricas do Distrito Federal, reconhecida por sua atuação na Construção Civil da capital federal. O pai de Fernando era primo de José Celso Gontijo, um dos maiores magnatas do Distrito Federal. O provável novo dono do tríplex foi diretor da Via Engenharia, empresa que tinha José Celso e outro empresário, Fernando Queiroz, como sócios. 

Os integrantes da família Gontijo deixaram a empresa em 2001. Fernando passou a atuar, segundo o próprio, principalmente por meio da empresa FCG Comércio, Turismo e Serviços. Já José Celso vendeu suas ações a Queiroz e montou a empresa JC Gontijo, que já construiu mais de 10 milhões de metros quadrados de obras, algo próximo de 100 mil apartamentos.

A sede da Câmara Distrital, o Museu de Brasília, o Metrô do Distrito Federal e a ponte Juscelino Kubitschek, apontada como alvo de superfaturamento, são alguns dos empreendimentos da empresa do ex-sócio de Fernando Gontijo.

A opulência da família é conhecida em Brasília. Em 2010, José Celso organizou um casamento deslumbrante para sua filha. Comprou uma mansão de 10 mil metros quadrados especialmente para a festa e ergueu no jardim um castelo provisório de 2 mil metros quadrados. Os colunistas sociais e socialites de Brasília compararam a obra a uma réplica do palácio de Versalhes, símbolo do reinado de Luís XIV e da opulência da nobreza francesa.

O provável dono do tríplex e José Celso Gontijo têm histórico de envolvimento em irregularidades. Fernando foi condenado em primeira instância pela Justiça Federal por improbidade no âmbito da Operação Confraria, deflagrada em 2005 na Paraíba contra fraudes em licitações na prefeitura de João Pessoa. Na ação, ele é apontado como representante da Via Engenharia em uma das supostas licitações fraudadas. O empresário ainda recorre da decisão de 13 anos atrás.

Já José Celso foi apontado como um dos financiadores do esquema do mensalão do DEM no DF, que levou à prisão o ex-governador José Roberto Arruda, flagrado em um vídeo a receber pacotes com maços de dinheiro em seu gabinete. O ex-mandatário do Distrito Federal foi gravado enquanto negociava a propina com Durval Barbosa, ex-secretário de relações institucionais do governo do DF.

José Celso também foi flagrado em gravações com Barbosa. Em um dos vídeos, o empresário entrega dois pacotes ao ex-secretário. Chamado de "Zé Pequeno" por Barbosa no vídeo, Gontijo acabou denunciado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro em 2012.
Nas eleições de 2010, o dono da JC Gontijo foi o terceiro maior colaborador da direção nacional do PSDB. Ele doou, junto com sua mulher, mais de 8 milhões de reais aos tucanos.

A antiga empresa de Fernando e José Celso, a Via Engenharia, também foi envolvida no mensalão do DEM. Ela foi alvo de investigação da PF por supostamente pagar propina a Arruda para a conclusão da obra da nova sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Um perfil de José Celso, feito pela própria JC Gontijo, diz que o empresário saiu da Via Engenharia "por motivos ideológicos e sucessórios". De acordo com o texto, ele continua amigo do empresário Fernando Queiroz, único acionista da Via Engenharia, e mantém sociedade com ele nas empresas Via Dragados e Via Concessões.

Em 2017, Fernando Queiroz foi um dos 21 indiciados na Operação Panatenaico da Polícia Federal. De acordo com o relatório, ele fraudou o contrato de reforma do Mané Garrincha. O relatório indicou ainda um vínculo entre o empresário e Arruda, além do ex-governador Agnelo Queiroz, do PT, e o ex-vice-governador Tadeu Filippelli.

Carta Capital

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