De
imediato, o pensamento que vem seria o de pessoas sem acesso aos bens de
consumo ou de serviços públicos essenciais de saúde. Aqui se fala de animais
soltos pelas cidades, mais precisamente dos cães.
Mantenho
entendimento defendido em artigo anterior sobre a necessidade de sacrificar os
animais que estejam muito doentes ou machucados, para abreviar a morte e evitar
o sofrimento prolongado.
Em
São Paulo, a retirada de animais das vias públicas era realizada pela chamada
“Carrocinha”. Um grupo de profissionais especializados da Secretaria de
Zoonoses, que saía num carro apropriado para recolher os animais das ruas.
O
entendimento dominante na sociedade era de que esses poderiam ser retirados
pelos seus donos em três dias. Os animais não retirados seriam sacrificados em
câmara de gás, que consistia na retirada do ar do ambiente e os animais perdiam
os sentidos em no máximo cinco segundos.
Trata-se
de uma escolha difícil entre o sofrimento prolongado até o fim da vida ou a
abreviação consciente e institucional. Cada um conclua conforme suas convicções
pessoais. Cabe apenas apontar o problema e a necessidade de alguma medida
oficial para a retirada dos animais, bem como a punição aos donos que os
abandonam.
Não
se sabe ao certo a razão, mas a “Carrocinha” parou de retirar animais das ruas
e a capital de São Paulo tornou-se um campo de matança de cães no dia a dia. Os
animais são atropelados e ficam agonizando até a morte, num sofrimento
indescritível, que causa mal-estar em todos, já que as pessoas ficam
sensibilizadas e impotentes e não podem aliviar a dor do animal nem podem
procurar nenhum órgão oficial que cuide, por não existir.
Em
Belo Horizonte, uma lei foi aprovada para obrigar a colocação de chips nos cães
para quando eles forem encontrados nas ruas os donos serem responsabilizados e
punidos com o pagamento de multa. Claro que se fala da lei, a prática deve ser
apenas uma retórica, como costuma ser em todas as esferas da administração
pública brasileira.
Faz-se
necessário que algum órgão retire os animais das ruas. Antes, porém, seria
necessária a veiculação de uma campanha de conscientização aos donos dos
animais para não soltarem nas ruas, quando estes, por algum motivo, não
interessassem mais. Mas, ainda mais importante é a punição certa, eficaz aos
donos que soltam os animais em vias públicas.
Para
um país que não extingue nem o analfabetismo do seu povo, parece exagerado
esperar que cuide adequadamente dos animais. Por muito tempo, o cidadão verá o
cachorrinho na rua e ao dar as costas ouvirá o barulho de uma freada brusca dos
pneus de um carro e um grito. É o único direito que resta aos animais. Um grito
de desamparo e sofrimento. Um grito fatal.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bacharel em direito
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