sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Médico que se negou a atender bebê em hospital de Pinheiro é transferido para presídio

O médico Paulo Roberto Penha Costa, de 44 anos, preso na madrugada desta quinta-feira (1º) acusado de omissão de socorro a um recém-nascido, foi encaminhado para a Unidade Regional Prisional de Pinheiro por não pagar uma fiança estipulada em 50 salários mínimos.

O recém-nascido acabou morrendo no pátio da Delegacia Regional de Pinheiro, segundo os policiais que atenderam o caso e uma enfermeira que aparece em um vídeo gravado pelos agentes. Ela relata que, por conta da urgência, foi preciso encaminhar o bebê ao hospital mais próximo.

“A gente veio lá de São Bento. É uma criança que nasceu com sofrimento fetal […] A gente estava na porta do Materno Infantil, aí chegou a enfermeira. Veio de lá dizendo que o médico não podia atender porque eles não estavam recebendo pacientes da cidade de São Bento, que a filial era Viana. Só que o bebê está com quase nada de batimento […] O SUS é universal, tem que atender”, diz a enfermeira, no vídeo.

Por telefone, o coronel Vieira Aquino, comandante de polícia da região de Pinheiro e cidades próximas, reforçou a versão dada pelos policiais que atenderam a ocorrência.

“A polícia foi acionada para averiguar uma situação que estava acontecendo no hospital. Chegando lá, a ambulância de São Bento já estava com a situação que o motorista e os enfermeiros informaram aos policiais”, disse Aquino.

“A guarnição foi conversar com o médico para saber por que ele não estava querendo atender a criança. O médico disse que não ia atender porque o caso era de outra cidade, que não podia, que não tinha como, mesmo tendo conhecimento de que o caso era grave. O policiais, dentro da lei, solicitaram a ele que os acompanhasse até a delegacia […] Ele disse que não ia. Aí teve que ser usada a força necessária para poder fazer a remoção dele”, continuou o coronel.

O médico foi levado à delegacia de Pinheiro para prestar esclarecimentos sobre a omissão de socorro e foi autuado por homicídio culposo.

O delegado Carlos Renato disse que vai analisar imagens de câmeras de segurança e um laudo do Instituto Médico Legal (IML) para descobrir se o recém-nascido chegou morto ao hospital.

“Vamos aguardar o laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) para a questão de prova técnica. Mandei o corpo para lá pela manhã. Acredito que nos próximos dias nós tenhamos um laudo para atestar o momento da morte, qual foi o horário da morte. Mas, pra mim, está muito claro. O médico foi encontrado no quarto de descanso dele, ele não estava atendendo outro caso. Ele estava dormindo”, declarou o delegado.

G1 MA

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