terça-feira, 5 de novembro de 2019

Inquérito da Polícia Civil revela: houve ameaças a Marielle e Talíria Petrone antes de assassinato

Marielle Franco e a hoje deputada federal Taliria Petrone (PSOL-RJ) receberam ameaças de morte meses antes do assassinato de Marielle. A informação consta do inquérito da Polícia Civil sobre o assassinato de Marielle e Anderson Gomes, mas só agora vem a público 

(Foto: divulgação)

247 - A Polícia Civil do Rio sabe que Marielle Franco e Talíria Petrone (PSOL-RJ), hoje deputada federal, receberam ameaças antes do assassinato de Marielle e Anderson Gomes no Rio em 14 de março de 2018.

Talíria chegou a falar sobre o assunto com Marielle pelo WhatsApp (veja troca de mensagens abaixo). "Tem uma série de episódios de tensão, mas nada que a gente esperasse que chegasse até uma execução", afirmou a hoje deputada aos jornalistas Luís Adorno e Flávio Costa do  UOL.

A informação não é nova para a polícia, mas só agora vem à luz. Logo nas primeiras horas após o crime, agentes da Delegacia de Homicídios do Rio receberam a informação de que uma pessoa do gabinete foi abordada em um ônibus por um homem que teria falado "que Marielle Franco estava falando demais".

Mas a pessoa não foi questionada pelos policiais a respeito da ameaça quando prestou depoimento, dois dias após o crime, como mostram registros do inquérito. 

Em 2017 meses antes do assassinato, Talíria Petrone, então vereadora de Niterói (RJ), avisou Marielle que havia recebido ameaças.

Em 16 de novembro daquele ano, Talíria informou sobre o ocorrido em seu gabinete e Marielle se prontificou a ajudar a identificar os autores e denunciar. Veja abaixo a troca de mensagens:

Talíria (00h00): Ligaram lá pra sede do Psol me ameaçando  
Talíria (00h00): Acredita?  
Talíria (00h00): E falando que iam explodir o Psol
Marielle (00h18): Sede daqui  
Talíria (00h19): Ligaram das 10 às 15h pedindo meu telefone, me chamando de piranha e ameaçando
Marielle (00h19): pra ver se vale a pena denunciar

A deputada federal afirmou que até a morte de Marielle, os membros do PSOL nunca imaginaram que poderia ocorrer de fato um atentado.

"Havia um clima em Niterói até mais tenso do que na capital. Ela me dizia para eu ficar mais atenta. Eu ia de bicicleta e ônibus para a Câmara. Depois da morte dela, fiquei por cinco meses com escolta. Hoje eu tenho escolta da polícia legislativa. Não ando mais pela cidade como eu andava. Mudou radicalmente a minha vida. Ia muito a samba, hoje tenho muitos limites, em especial quando estou no Rio."

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