sábado, 18 de novembro de 2017

Delegado da PF ou errou ou mentiu sobre “sorveteria” que teria contrato na Saúde

O delegado da Polícia Federal Wedson Cajé Lopes, chefe da Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros da PF, se equivocou durante entrevista coletiva acerca da operação “Pegadores”, que investiga o desvio de mais de R$ 18 milhões na estrutura da Secretaria de Estado da Saúde (SES) do Maranhão.

Wedson afirmou que uma “sorveteria” teria se transformado da noite para o dia, em fevereiro de 2015, numa empresa prestadora de serviços de saúde para o Estado. Dai em diante, todo mundo tá vendo manchetes como “sorveteria faturou mais de 1 milhão na Saúde do Maranhão”.

Ou seja, o delegado proveu o argumento para que a superficialidade jornalística, alimentada pelo erro ou mentira, desse lugar à canalhice de uma imprensa motivada por questões políticas para distorcer fatos verdadeiros que poderiam ter sido desvendados tanto pela PF quanto pela boa prática jornalística, como mostraremos a seguir.

Primeiro é importante salientar aos leitores que é prática comum (e completamente legal) que empresas mudem de ramo e continuem com o mesmo CNPJ, as razões são diversas e não cabem ser discutidas aqui. Para tanto, fazem alterações em seus Contratos Sociais, tudo registrado nos órgãos competentes.

Vejam bem, dissemos que tudo fica registrado. Mas não só isso, fica à disposição da Polícia, do Jornalista e de qualquer cidadão. Sendo assim, este blog mostra abaixo documento registrado na Junta Comercial do Maranhão – JUCEMA que mostra a alteração contratual da tal sorveteria, que deixou de ser sorveteria em 04 de outubro de 2013, não em fevereiro de 2015. Se prestou algum serviço para a Saúde do estado enquanto era sorveteria, foi então em período anterior à outubro de 2013.
Depois disso, a mesma empresa passou por outra alteração contratual, até se tornar empresa de serviços médicos hospitalares e ser contratada, não pelo governo através da Secretaria de Saúde, mas sim por uma das empresas prestadoras de serviços para o Estado, numa espécie de quarteirização. Aliás, esse é outro assunto tratado de forma distorcida que logo abordaremos em outro texto. Mas sigamos.

A informação passada pelo delegado Wedson Cajé Lopes não condiz com o que está registrado na JUCEMA no que diz respeito à “mudança da noite pro dia” de uma sorveteria em empresa de serviços de saúde.

Há que se considerar duas hipóteses: ou o delegado da Polícia Federal errou ou, então, mentiu. Se errou, coloca em dúvida sua capacidade de comandar uma investigação de tamanha envergadura e de grande importância para o combate à corrupção no Maranhão seja em que governo for.

Se deixou passar um erro ligado a uma coisa tão simples que é verificar o Contrato Social de uma empresa e suas alterações – algo que qualquer cidadão pode requerer na Junta Comercial – o que mais teria deixado passar? O que mais teria ficado sem a devida checagem? Que outra informação dada está errada?

Na segunda hipótese, a de ter mentido deliberadamente sobre tal informação, nem cabe qualquer tipo de argumento, pois estaríamos tratando de algo muito mais grave, que seria a intenção de gerar graves danos de imagem e credibilidade à parte envolvida na investigação, coisa que este blog se nega a acreditar que possa ter acontecido.

Logo, se errou, o delegado precisa vir a público para corrigir o erro e passar a informação correta; no entanto, se mentiu, deixará que a informação errada circule, e acabará por confirmar a segunda hipótese aqui ventilada.

Se o delegado quiser, este blog disponibiliza para a Polícia Federal o documento completo com as alterações contratuais da tal sorveteria. Até porque apoiamos o trabalho da Polícia Federal, especialmente no combate à praga da corrupção em nosso país, mas desejamos, acima de tudo, que seja feito com esmero e livre de máculas que possam por em dúvida esse trabalho, principalmente contaminação política.

Por: Jeisael Marx

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