terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Mundo: Justiça da Arábia Saudita condena 5 à pena de morte por assassinato de jornalista


O jornalista Jamal Khashoggi, durante entrevista coletiva em 2014 no Bahrein – Mohammed Al-Shaikh – 15.dez.2014/AFP
A Arábia Saudita sentenciou cinco pessoas à morte e outros três à prisão pela morte do jornalista Jamal Khashoggi, ocorrida dentro de um consulado saudita em Istambul, na Turquia, em 2018.

Ao todo, havia 11 indiciados. Três deles foram inocentados no julgamento, segundo o procurador saudita Shalaan al-Shalaan. “A investigação mostrou que o assassinato não foi premeditado. A decisão foi tomada por um impulso no momento”, disse.

Segundo Shalaan, os funcionários do consulado concluíram que não seria possível levar Khashoggi para outro local para continuar o que ele chamou de “negociações” e então decidiram que seria melhor matá-lo ali mesmo.

Essa posição contraria investigações feitas pela ONU e pela CIA.

Khashoggi era residente nos EUA, colunista do jornal The Washington Post e crítico do príncipe saudita Mohammed bin Salman, conhecido pela sigla MBS.

O jornalsita foi visto pela última vez no consulado da Arábia Saudita em Istambul em 2 de outubro de 2018, onde ele havia ido buscar papéis para se casar. Ele teria recebido injeção letal antes de ter corpo esquartejado e os restos mortais —nunca encontrados— retirados do local em sacos de lixo.

Dias depois, a CIA, agência americana de inteligência, afirmou ter obtido um áudio no qual se ouvia o jornalista de 59 anos sendo torturado. Segundo o órgão, o crime foi ordenado pelo príncipe MBS para calar o jornalista.

A morte de Khashoggi gerou críticas internacionais contra a Arábia Saudita. A CIA e alguns governos ocidentais disseram acreditar que MBS ordenou o assassinato, mas funcionários sauditas dizem que ele não teve participação no caso.

Uma investigação liderada pela ONU apontou, em fevereiro, haver evidências de que o jornalista foi morto de modo premeditado e brutal.

Agnes Callamard, relatora especial da ONU para execuções arbitrárias, considerou o veredito uma chacota. “Os matadores são sentenciados à morte. Os mandantes não apenas seguem livres, mas mal foram atingidos pela investigação”, criticou.

O julgamento foi feito a portas fechadas. Os acusados ainda podem recorrer da decisão.

Fonte: folha.uol.com.br

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