sábado, 31 de dezembro de 2016

Artigo de Luiz Carlos - 2016: o ano que abalou o mundo!


 

Por: Luiz Carlos Rodrigues da Silva

A História, enquanto ciência apresenta inúmeros desafios e uma estética encantadora na sua narração, seja nas alternativas prováveis da verdade presente nos fatos, seja no fato do que se apresenta como ilusório. Nem sempre o que parece ser bom é bom e o que parece ser mal é verdadeiramente mal. Porém, com os instrumentos que temos em mãos, incluindo a ilusão, é possível de materializar o futuro em nuances sociais e na dialética antropológica. 

O ano de 2016, que insiste em não terminar, agoniza em um cenário de nuvens espessas. O fim da “nostálgica” Guerra Fria, com a derrocada do Muro de Berlim, fez com que a República Popular da China conversasse com o imponente Uncle Sam. A Europa desfigurada pela Segunda Guerra Mundial reintegrou-se no âmbito político/econômico e a Rússia retroalimentando bucolicamente o seu sonho imperialista. Com a palavra The Sir Vladimir Putin! O que se pensava a respeito das atividades beligerantes é que seriam estritamente localizadas. Por exemplo: Israel com a construção incessante de novos assentamentos em território palestino, com seus vizinhos non gratos, a tensão latente entre a índia e o Paquistão pela disputa da região da Caxemira, a alteração de ânimo e intenção inconstante no Paralelo 38 LN entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul e os acordos e guerras do passado não resolvido entre o Japão com a China. A Turquia com Erdogan relembrando fatos do Império Turco-Otomano e os resquícios da invasão ao Iraque redefinindo o desequilíbrio no já tênue equilíbrio do Oriente Médio. A divergência cada vez mais nítida entre xiitas e sunitas na prática dos atentados terroristas em terras ocidentais, até então impensável, citando como exemplo a ideia de que o Boko Haram mataria somente africanos. 

Em 2015, na cidade de Paris, os atentados ao Charlie Hebdo e ao Bataclan, bem como em outras cidades europeias, o ataque às torres gêmeas de New York veio à tona. O ocidente é frágil no aspecto do imprevisível e do meramente ilusório. O fantasma do inimigo rondando as bases da civilização ocidental se tornou uma obsessão! 

2016 preanuncia o seu possível fim com a Rússia não se identificando, nem geograficamente nem culturalmente com a localização na emblemática Eurásia; a indefinição da União Europeia com o Brexit; o cumprimento ou não das promessa de campanha de Donald Trump nos EUA; o realinhamento de Cuba após a morte de Fidel Castro, o crescimento da nova direita anti-establishment na Áustria e na Alemanha, o fracasso da reforma constitucional na Itália que levou à renuncia de Matteo Rinzi. Além das incógnitas na redefinição do Pacífico, seja na Ásia quanto na América. Cenário esse que pode se agravar com o afastamento dos Estados Unidos das decisões internacionais. A doutrina do Destino Manifesto em crise! Não podemos esquecer-nos das hediondas guerras no Oriente Médio, desta vez provocando enormes ondas migratórias para a Europa, já exausta com a crise econômica. 

O que esperar para 2017? Teremos um novo mapa político com inúmeras acomodações e rearranjo geopolítico. Os Estados Unidos ainda ocupando a posição de Superpotência, porém perseguido incansavelmente pela China. O diálogo impensável no tabuleiro do Oriente Médio entre Arábia Saudita, Irã e Turquia. A guerra na Síria com o apoio incondicional da Rússia de Putin. O Iêmen sendo ameaçado pelo inesperado ímpeto bélico da Arábia Saudita. O futuro da Europa pós-Brexit é nebuloso. O futuro do MERCOSUL no cenário acirrado da globalização. O desemprego como fator preocupante numa economia marcada pelas novas tecnologias e um nível de conhecimento elevadíssimo provocando o desaparecimento maciço de postos de trabal2ho. Estudiosos acenam que os problemas sociais ficarão cada vez mais evidentes. 

E o Brasil? Desemprego em níveis alarmantes, crise política, ética, moral, recessão econômica gravíssima, falta de liderança política, congresso nacional desfigurado, partidos políticos que não representam os anseios da população, índices educacionais humilhantes, corporativismo ainda em alta, país desatinado com a sociedade do conhecimento. 

Como iremos reagir diante das novas exigências nacionais e mundiais? Sairemos dessa crise tão grave? Iremos conseguir delinear um novo marco axiológico e sociológico? Alternaremos a nossa conduta de “jeitinho brasileiro” para uma práxis pragmática e técnica? Perguntas intrigantes para um novo paradigma pessoal e social. 

2017. O ano que insiste em não começar! 

Feliz e ousado 2017! 

Prof. ME. Luiz Carlos

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