terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Maior tremor da história do MA foi próximo à Vargem Grande e Presidente Vargas

O tremor foi o maior da história do Maranhão. Em Belágua, 50 casas tiveram a estrutura comprometida. 

 MA 10
Imagem de Vargem Grande. Reprodução: Ilustração
Imagem de Vargem Grande. Reprodução: Ilustração
 O tremor de terra que foi sentido na manhã desta terça-feira (3) das cidades São Luís à Teresina teve o epicentro localizado nas proximidades dos municípios de Vargem Grande e Presidente Vargas. O tremor de magnitude 4.6 aconteceu às 9h43 da manhã, no horário local. Os dados foram confirmados pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), via Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). O epicentro foi localizado primeiramente nas proximidades de Belágua, mas depois foi revisto pelos especialistas. Este foi o maior tremor, ou abalo sísmico, já registrado no Maranhão. O tremor foi bem sentido desde São Luís até Teresina, e até em algumas localidades a mais de 200 km de distância do epicentro.

A Rede Sismológica Brasileira registrou seis abalos em Vargem Grande, com magnitudes variando de 1.5 a 4.6 na escala Ritcher.  A confusão inicial em relação à localidade foi causada por conta da distância entre as estações da Rede Sismológica Brasileira seriam muito distantes uma da outra, portanto a margem de erro  seria de  aproximadamente 20km.

Seis tremores de terra foram registrados em Vargem Grande. Reprodução: Rede Sismográfica Brasileira
Seis tremores de terra foram registrados em Vargem Grande. Reprodução: Rede Sismográfica Brasileira
Apesar de não ser o ponto do epicentro, Belágua foi a cidade mais afetada pelo tremor, que assustou os moradores – aproximadamente 50 casas tiveram a estrutura comprometida, com pisos afundados e pequenos vidros rachados. De acordo com o prefeito da cidade, Herlon Costa, não houve vítimas, apenas danos físicos. “Lamentamos a situação, que realmente pegou a população de surpresa, atingindo tanto o centro quanto a zona rural do município. Algumas pessoas idosas acabaram passando mal, mas felizmente não temos relatos de vítima, apenas danos físicos. Contamos com o apoio da Defesa Civil, na pessoa do Coronel Roberto, que esteve em Belágua e deu suporte no levantamento de danos. Saímos com um carro de som nas ruas, chamando a população a notificar os problemas em suas casas. Foram casas que racharam, casas no qual o piso afundou. Estamos tomando ações, deste número aproximadamente 50 casas que tiveram a estrutura comprometida. Apesar disso, nenhuma tem o risco de desabar”, explicou o parlamentar.  Haverá uma avaliação dos projuizos materiais. Mensagens em carros de som nas ruas foram usadas para acalmar a população.

Já em Presidente Vargas, o prefeito Erialdo Pelúcio, disse à reportagem do MA10 que o tremor foi sentido sem muita intensidade, porém algumas pessoas ficaram desesperadas. Os funcionários da prefeitura local foram às ruas com carro de som para acalmar as pessoas. Segundo o parlamentar, não houve danos.

Os tremores foram sentidos em outras cidades, como Albano Franco e Chapadinha. O Centro de Sismologia da USP relata que os tremores de magnitude 4.6 são normalmente sentidos a distâncias de até 150 a 250 km. Não foi relatado até agora nenhum grande dano, apenas forte vibração na região epicentral.

Os maiores tremores anteriores no Maranhão haviam ocorrido em Itapicuru em 1871 (magnitude 4?), em Alcântara em 1909 (mag= 3?), e perto de João Lisboa em 1981 (magnitude 3.4). Foi, portanto, um tremor incomum para o Maranhão embora de magnitude normal para o Brasil onde tremores ainda maiores, acima de magnitude 5, ocorrem a cada 5 anos em média. Os estados do Ceará e Rio Grande do Norte, por exemplo, são palco de atividade sísmica muito frequente, como atesta o grupo de sismologia da UFRN.

O professor de Geologia do Departamento de Geociências da Universidade Federal do Maranhão, Marcelino Silva Farias, explicou, em entrevista ao MA10, que este é um evento raríssimo, mas que pode voltar a acontecer.

“O Maranhão está distante do epicentro do terremoto, que está no Chile”, diz o especialista. “No entanto, mesmo assim conseguimos sentir os efeitos de um abalo sísmico deste porte, porque os tremores se espalham como ondas. As localidades próximas ao epicentro, ainda que pareçam distantes para nós, conseguem ser abaladas por ele”, explicou.

Para o professor de Geografia Física da Universidade Estadual do Maranhão, Luis Jorge Dias, o tremor sentido no Maranhão se explica, parcialmente, por ser um “tremor de acomodação”.

“As rochas ficam saturadas do peso que elas suportam, do solo para baixo, e isso faz com que as rochas se acomodem do solo até alguns quilômetros de profundidade. Isso é comum em áreas sedimentares, como é o caso da nossa”, aponta.

Para Luis Jorge Dias, parte da nossa zona costeira maranhense, abrangendo a que vai de Alcântara ao município de Icatu, é recortado por uma falha geológica na faixa norte, inferida por geomagnetismo.  A profundidade da fenda permite que haja uma propagação mais intensa do abalo císmico nessa linha.

O professor de Geologia da UFMA, Marcelino Farias, não descarta a ocorrência de novos tremores. “É impossível prever. Mesmo em regiões com grandes centros, as previsões ocorrem com poucos minutos, segundos ou horas”, destaca Marcelino Farias.

O especialista salienta que a população precisa se manter calma. “Este é um evento raro e não quer dizer que o Maranhão irá viver um terremoto. São tremores esporádicos aos quais estamos sujeitos por estarmos próximos de lugares em que terremotos são mais frequentes”, finalizou.

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