segunda-feira, 27 de abril de 2020

Popularidade de Moro em redes sociais aumenta após demissão

De acordo com pesquisa realizada pela consultoria Quaest, ex-ministro ganhou 196 mil seguidores no Instagram e outros 20 mil no Twitter; Bolsonaro acabou prejudicado por embate com ex-ministro da Justiça


O ex-ministro da Justiça Sergio Moro Foto: Jorge William / Agência O Globo
O ex-ministro da Justiça Sergio Moro Foto: Jorge William / Agência O Globo
Com a demissão do Ministério da Justiça, a popularidade do ex-juiz Sergio Moro nas redes sociais aumentou, de acordo com ranking da consultoria de dados Quaest, que monitora o alcance digital de líderes políticos. O resultado aproximou o ex-ministro do primeiro lugar, ocupado pelo presidente Jair Bolsonaro desde que o levantamento foi criado em janeiro de 2019.

A repercussão da saída de Moro acarretou uma perda inédita de seguidores ao presidente, acostumado a ter saldos positivos diariamente. Ao contrário, o ex-ministro da Justiça avançou em todas as suas redes. Entre quinta e sexta, quando surgiram as notícias de que deixaria o cargo, ele ganhou 196 mil novos seguidores no Instagram e quase 20 mil no Twitter.

Segundo Felipe Nunes, CEO da Quaest e professor de ciência política da Universidade Federal de Minas Gerais, Moro cresceu em engajamento, mobilização, fama e interesse. Os acessos ao verbete do ex-magistrado na Wikipédia são um exemplo. Foram 628 cliques na página na quarta-feira (22), 9.200 na quinta e 71.050 na sexta, data em que a demissão se confirmou.

O desempenho refletiu no Índice de Popularidade Digital (IPD) da Quaest, que atribui uma pontuação de 0 a 100 a partir de dados do Twitter, Facebook, Instagram, Youtube, Wikipedia e Google. O algoritmo leva em conta seis dimensões, que vão desde audiência e engajamento até interesse e proporção de reações positivas e negativas.

Ao anunciar sua saída do Ministério da Justiça, Moro alcançou 52,1 pontos - frente a 30,7 no dia anterior -, enquanto Bolsonaro registrou 75,8, abaixo dos 82,9 de quinta. A diferença entre eles na sexta foi de 23,7 pontos.

Ranking IPD Foto: Reprodução
Ranking IPD Foto: Reprodução
A tendência de alta do ex-ministro e de queda do presidente continuou no sábado (25), com uma aproximação ainda maior. Moro chegou a 55,3, enquanto Bolsonaro caiu para 70,3 — uma diferença de 15 pontos.

A consultoria também monitorou o desempenho de nomes como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o apresentador e pré-candidato à presidência Luciano Huck (sem partido) e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), que ganhou protagonismo com a pandemia do coronavírus.

A saída de Mandetta, no último dia 16, resultou em uma situação similar à de Moro, conforme o levantamento. O ex-ministro da Saúde elevou sua popularidade e chegou a ficar a apenas 10 pontos atrás de Bolsonaro. A pesquisa notou que sua queda coincide com a ascensão de Moro, que concentrou a atenção da mídia.

"Moro estava em um viés de baixa e começou a subir no início da semana passada, chegando ao fim dela com seus indicadores mais altos na série histórica", afirma Nunes. "Na média, Moro não tinha pontuação relevante em nenhuma dimensão durante esta crise, exceto na de mobilização, que compreende o total de compartilhamentos de conteúdos", acrescentou.

Para o cientista político, as variações de Moro e Bolsonaro expõem uma pulverização da rede de apoio de ambos, que deve implicar uma racha na base política do presidente. Nunes acredita, no entanto, que o movimento não é definitivo e que Bolsonaro pode se recuperar para as eleições de 2022.

"Se ele conseguir fazer um governo de entregas, com poucas mortes na pandemia e com um plano de recuperação da economia, continua competitivo", afirmou o analista.

Já no caso de Moro, ele crê que o ex-ministro pode se projetar como uma alternativa anti-Bolsonaro e anti-Lula com o apoio da classe média.

Revista Época

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