terça-feira, 31 de março de 2020

Líder indígena Guajajara é encontrado morto no Maranhão


Indígena Zezico Guajajara foi encontrado morto nesta terça-feira (31) em uma estrada da Terra Indígena Arariboia, no município de Arame. Não há informações sobre a motivação do crime.

Por Rafaelle Fróes, G1 MA — São Luís, MA



Líder indígena Zezico Guajajara foi encontrado morto na Terra Indígena Araribóia em Arame, no Maranhão. — Foto: Divulgação/Cimi
Líder indígena Zezico Guajajara foi encontrado morto na Terra Indígena Araribóia em Arame, no Maranhão. — Foto: Divulgação/Cimi
O líder indígena Zezico Rodrigues Guajajara foi encontrado morto na tarde desta terça-feira (31) na estrada da Matinha, próximo a Aldeia Zutiuá no município de Arame, localizado a 476 km de São Luís. De acordo com a Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihopop) ainda não há informações sobre a motivação do crime.

De acordo com lideranças indígenas da região, Zezico Guajajara havia saído pela manhã para fazer compras e, por volta do meio-dia, foi encontrado morto por índios com perfurações de bala pelo corpo. Os índios alegam que ele vinha recebendo ameaças de morte por conta de conflitos internos na aldeia.

O indígena chegou a formalizar algumas denúncias sobre 'atos de violência' praticados por outros indígenas dentro da Aldeia Zuituá para a Fundação Nacional do Índio (Funai) e para Polícia Federal (PF).

Em entrevista à Rádio Mirante AM, Jefferson Portela, secretário estadual de Segurança Pública (SSP-MA), informou que o indígena trabalhava como diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Azuru e era uma grande liderança em defesa dos direitos dos índios e contra crimes ambientais.
“Uma grande liderança, um grande homem, um grande professor, articulador da defesa indígena contra crimes ambientais e envolvido na questão da educação como professor. Uma grande liderança e nós já tomamos todas as medidas e vamos iniciar a investigação desse crime”, disse Jefferson Portela.
Ao G1, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-MA) informou que uma equipe da Força Tarefa de Proteção de Vida Indígena (FT-Vida) foi enviada ao local e acionou a Superintendência da Polícia Federal no Maranhão.

Autoridades e entidades se manifestam


O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) se manifestou na tarde desta terça-feira (31) sobre a morte do líder indígena. Por meio de uma rede social, Dino lamentou o crime e disse que o estado está à disposição para auxiliar o governo federal na segurança das terras indígenas.

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Por meio de um vídeo, Giderlan Rodrigues da Silva, coordenador do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) lamentou a morte do líder Guajajara e afirmou que o órgão vai cobrar e acompanhar a investigação para pedir a punição dos responsáveis junto as autoridades competentes. Além disso, ele pediu a proteção das terras e dos povos indígenas que vivem no Maranhão. Veja abaixo:

Coordenador do CIMI fala sobre a morte de líder indígena no Maranhão

Região de conflitos

A morte de Zezico Guajajara aconteceu na Terra Indígena Araribóia, mesma região onde o líder indígena e 'Guardião da FlorestaPaulo Paulino Guajajara foi assassinado em novembro de 2019. O território é conhecido por registrar inúmeros conflitos de terras entre indígenas e madeireiros.
Segundo a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) de 2016 até novembro de 2019, 13 indígenas foram mortos em decorrência do conflito com madeireiros no Maranhão. A entidade afirma que a 'estrutura de segurança não está preparada ou não prioriza os casos' relacionados a índios.

Terra Indígena Araribóia no Maranhão.  — Foto: Divulgação
Terra Indígena Araribóia no Maranhão. — Foto: Divulgação

Terra Indígena Arariboia

A Terra Indígena Arariboia é composta por etnias indígenas Ka’apor, Guajajaras e Awá-Guajás em um território com 413 mil hectares no sudoeste do Maranhão onde vivem 12 mil indígenas. Parte dessas tribos possuem Guardiões da Floresta, que são formados com o intuito de proteger a natureza, evitar invasões de madeireiros e incêndios.

Indígenas cercam homens que estavam em acampamento montado na Terra Indígena Alto Turiaçu, com a finalidade de desmatar a região — Foto: Lunae Parracho/Reuters
Indígenas cercam homens que estavam em acampamento montado na Terra Indígena Alto Turiaçu, com a finalidade de desmatar a região — Foto: Lunae Parracho/Reuters

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