quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

IFMA não disponibiliza vagas para deficientes

Especiais protestam na sede do MPF contra o IFMA
Para garantir o direito à vaga de alunos com deficiência no Instituto Federal do Maranhão (IFMA), no último seletivo para o ensino médio, representantes do Fórum Maranhense das Entidades das Pessoas com Deficiência e Patologias se reuniram na tarde de ontem com entidades, candidatos com deficiência auditiva e seus pais, no Ministério Público Federal (MPF). Quatro candidatos reivindicam no MPF o direito de ingressar no instituto por meio das cotas para deficientes – que não foram oferecidas para a modalidade de ensino deste ano.

Devido à mudança do MPF do Centro para o bairro Areinha, a solicitação não pode ser feita. “Teremos que aguardar até o mês que vem para que os interessados possam ser ouvidos. Enquanto isso, vamos juntar todos os materiais necessários, como edital e resultado do seletivo, para provar que houve discriminação para com os deficientes. O direito deles de ter acesso aos estudos foi negado”, afirmou o coordenador do Fórum Maranhense das Entidades das Pessoas com Deficiência e Patologias, Genilson Protásio.
Além de procurar o MPF, o Fórum Maranhense das Entidades das Pessoas com Deficiência e Patologias reivindicará direitos na Defensoria Pública da União. “Vamos continuar a reclamar os direitos dos candidatos. A Constituição Federal não está sendo atendida. O que está sendo feito é um crime e não pode ficar dessa forma”, declarou Protásio.

Dois dias após a aplicação da prova, um documento com o nome dos deficientes foi enviado à Pró-Reitoria de Ensino do IFMA (Proen) solicitando que os candidatos tivessem as vagas reservadas, mas eles não foram atendidos. Os deficientes auditivos fizeram a prova do seletivo em janeiro, fora do sistema de cotas, mas não obtiveram êxito com o resultado.

“Eles teriam sido aprovados caso fizessem através do sistema de cotas, pois obtiveram boa pontuação”, disse a presidente da Associação Maranhense de Surdos (Asma), Lídia Maria Trinta Arouche. De acordo com a presidente, o acesso dos surdos ao IFMA deveria ser garantido. “É um direito que não está sendo respeitado. Esse problema de discriminação não é só aqui, mas em todo o Estado. Faltam profissionais para auxiliar os surdos com a interpretação e eles ficam sem estudar”, disse.

Dificuldades

Ao realizar a inscrição para concorrer a uma vaga, o candidato deficiente auditivo Pablo José Correa de Jesus lembra que sentiu dificuldades, pois as dúvidas não eram esclarecidas por falta de intérpretes. “Não basta apenas a minha vontade de estudar no IFMA. O Instituto precisa disponibilizar pessoas para nos auxiliar. Para fazer a inscrição, tive que recorrer a uma intérprete para me ajudar, caso contrário nem teria participado”, enfatizou.

Segundo a pró-reitora de Ensino do IFMA, Marise Piedade de Carvalho, hoje a instituição não tem condições para manter alunos com essas necessidades especiais. “Nenhum dos nossos campi, no momento, têm as condições necessárias para receber deficientes físicos. Além dos mais, os portadores de deficiência auditiva carecem de uma exigência maior, com o auxílio de equipamentos e intérpretes de libras. O recurso financeiro do Governo Federal não nos permite que agora sejam realizados concursos para a efetivação de profissionais que trabalhem com essa necessidade”, justificou Marise de Carvalho.

Ela informou que no próximo seletivo haverá vagas para cotas de portadores de necessidades especiais. Esse ano, a oferta de vagas por cotas foi somente para o nível superior. “Estamos trabalhando para receber portadores de necessidades especiais em 2012 para o nível de ensino médio, mas ainda não podemos dizer ao certo qual a porcentagem de vagas que serão oferecidas”, informou a pró-reitora.

O Estado

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