Uma pesquisa da Quaest indica que o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, perdeu apoio em diferentes segmentos do eleitorado, incluindo evangélicos, mulheres, jovens e parte do Sudeste.
O levantamento ajuda a explicar a mudança no cenário eleitoral de segundo turno registrada em junho, quando o presidente Lula passou a liderar com 44% das intenções de voto, contra 38% de Flávio.
Até março, os dois apareciam em situação de empate técnico na simulação de segundo turno. No entanto, nas rodadas mais recentes, Lula passou a abrir vantagem.
Segundo o levantamento, o movimento ocorre após uma série de oscilações regionais e demográficas que impactaram o desempenho do senador.
Entre os fatores contextuais apontados no período estão a repercussão de relações políticas e financeiras envolvendo Flávio Bolsonaro, incluindo a divulgação de repasses no valor de R$ 61 milhões ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, destinados ao financiamento de um projeto audiovisual sobre a família Bolsonaro.
Também foram mencionadas decisões recentes do governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, que afetaram o Brasil no campo comercial e de segurança, após encontros de integrantes do governo americano com Flávio.
Mudanças por região
Os dados mostram perda de desempenho no Sudeste e no conjunto Centro-Oeste/Norte. No Sudeste, região que concentra grandes colégios eleitorais como São Paulo e Minas Gerais, Flávio já chegou a liderar com vantagem, mas perdeu espaço nas últimas rodadas e agora aparece em empate técnico com Lula.
No Centro-Oeste/Norte, a queda também foi significativa: o senador recuou cerca de 8 pontos, enquanto Lula apresentou crescimento gradual. O cenário, que antes mostrava vantagem de Flávio, agora também está em equilíbrio técnico.
Jovens, mulheres e evangélicos
Entre eleitores de 16 a 34 anos, Flávio perdeu a liderança que mantinha em levantamentos anteriores. Nesse grupo, Lula passou a aparecer numericamente à frente.
Na faixa de 35 a 59 anos, Lula manteve estabilidade, enquanto Flávio apresentou leve queda. Entre os eleitores com mais de 60 anos, ambos oscilaram dentro da margem de erro, com leve vantagem para o presidente.
Entre mulheres, o levantamento aponta ampliação da vantagem de Lula. Já entre homens, Flávio mantém leve superioridade numérica, mas dentro da margem de erro, configurando empate técnico.
Entre evangélicos, Flávio ainda lidera, mas com redução da diferença em relação a Lula, após queda de cerca de 9 pontos no segmento.
Renda e escolaridade
Nos recortes por renda, Flávio perdeu vantagem entre eleitores com renda de 2 a 5 salários mínimos, onde Lula passou a liderar. Já entre os que ganham mais de 5 salários mínimos, o senador ainda aparece à frente, embora com redução da diferença.
Em relação à escolaridade, Lula mantém vantagem entre eleitores com ensino fundamental. Nos demais níveis, especialmente entre os que têm ensino médio e superior, o cenário passou de liderança de Flávio para empate técnico ou margem reduzida.
Via O Informante
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