
Famílias de baixa renda beneficiadas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida poderão receber, além da casa própria, móveis e eletrodomésticos essenciais para equipar suas residências. A medida está prevista em proposta aprovada pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados, a partir de substitutivo apresentado pelo deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA), relator do Projeto de Lei 3737/24, de autoria da deputada Fernanda Pessoa (PSD-CE).
A proposta prevê a utilização de recursos do Fundo Social, abastecido, entre outras fontes, por receitas provenientes da exploração do petróleo do pré-sal, para financiar a aquisição dos equipamentos. Entre os itens contemplados estão geladeiras, fogões, máquinas de lavar, camas e sofás.
Solução para não comprometer a construção de moradias

“A proposta da deputada merece prosperar. Entretanto, nós fizemos uma modificação para não diminuir a meta desejada e necessária para a construção de habitações no Brasil”, explicou o parlamentar.
Na avaliação do relator, utilizar os recursos do próprio Minha Casa, Minha Vida para equipar as residências poderia reduzir a quantidade de imóveis construídos. Como alternativa, ele defendeu que o financiamento dos equipamentos seja feito com dinheiro do Fundo Social do pré-sal.
“Esses eletrodomésticos e os móveis serão adquiridos com recursos do pré-sal, para não afetar, justamente, a meta a ser atingida para diminuir o déficit habitacional”, destacou.
Hildo Rocha exemplificou o impacto que a utilização de recursos originalmente destinados à construção poderia provocar: “Se tira o recurso que é para a construção de casas, tanto de casas quanto de apartamentos, você vai diminuir a meta. Porque aquele valor com que você deveria fazer 2 milhões de casas acaba fazendo com que você faça 1 milhão e 850 mil habitações”.
Moradia com mais dignidade e condições de habitabilidade
O parlamentar também ressaltou que a política habitacional precisa ir além da entrega das chaves. Para ele, garantir o acesso à moradia significa assegurar condições adequadas para que as famílias possam efetivamente usufruir de suas residências.

A proposta original de Fernanda Pessoa previa a utilização de recursos orçamentários do próprio programa habitacional para a compra dos equipamentos, especialmente para famílias enquadradas na Faixa 1, público de menor renda e que mais necessita de apoio governamental.
Com o substitutivo apresentado por Hildo Rocha, a iniciativa ganha uma alternativa de financiamento que preserva os recursos destinados à construção das moradias e amplia as possibilidades de atendimento às famílias beneficiárias.
A matéria ainda precisa ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Como tramita em caráter conclusivo, seguirá posteriormente para o Senado Federal, caso não haja recurso para votação pelo Plenário da Câmara.
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