Quando um familiar idoso começa a esquecer compromissos ou repetir a mesma pergunta várias vezes, é comum que a suspeita de Alzheimer surja rapidamente. O que muita gente não sabe é que a doença nem sempre começa pela memória. Muito antes dos esquecimentos se tornarem evidentes, o Alzheimer pode provocar mudanças sutis no comportamento, no humor e na forma como a pessoa se relaciona com o mundo. Reconhecer esses sinais precocemente pode fazer diferença para o diagnóstico e para o início do tratamento.

Com o envelhecimento da população, o número de brasileiros que convivem com Alzheimer e outras demências deve crescer de forma acelerada nas próximas décadas. Atualmente, cerca de 1,85 milhão de pessoas vivem com essas doenças no país, segundo o Ministério da Saúde. O órgão projeta que esse contingente poderá mais que triplicar até 2050. Já um estudo médico científico publicado em 2025 estima que 8,5% dos brasileiros com 60 anos ou mais apresentam algum tipo de demência. No Nordeste, a prevalência é ainda maior: 10,1% da população idosa.
A neurologista do Hospital São Domingos, Aline Juliano, explica que o Alzheimer é a principal doença neurodegenerativa que acomete idosos e compromete diversas funções cognitivas. “Quando falamos em cognição, estamos falando não apenas de memória, mas também de comportamento, linguagem, atenção e da capacidade de interação com outras pessoas. Por isso, os primeiros sinais podem ir muito além dos esquecimentos”, alerta.
Veja abaixo alguns sinais que merecem atenção:
1. Irritabilidade sem motivo aparente
Uma pessoa idosa que sempre foi tranquila pode passar, de forma brusca, a demonstrar irritação com situações simples do cotidiano. Ansiedade, tristeza ou sintomas depressivos que surgem pela primeira vez nessa fase da vida também merecem investigação. “Quando uma pessoa que nunca apresentou esse perfil passa a demonstrar alterações importantes de humor, é importante procurar avaliação médica”, orienta.
2. Resistência às mudanças
Trocar um móvel de lugar, alterar um compromisso, mudar horários ou propor uma atividade diferente pode provocar uma reação desproporcional. Segundo a neurologista Aline Juliano, isso acontece porque a pessoa passa a apresentar uma maior rigidez cognitiva, isto é, uma dificuldade crescente de adaptar o cérebro a situações novas.
“Nesses casos, a avaliação médica é fundamental. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as possibilidades de retardar a evolução da doença, preservar a qualidade de vida e oferecer suporte adequado ao paciente e à família”, afirma a neurologista.
Um aspecto pouco conhecido é que a doença pode começar muitos anos antes de ser percebida pela família. “O processo neurodegenerativo pode ter início entre 15 e 20 anos antes dos primeiros sintomas. Quando surgem as manifestações clínicas, a doença já está em evolução há bastante tempo”, explica Aline Juliano.
É possível prevenir?
Embora ainda não exista cura, hábitos saudáveis ajudam a reduzir o risco de desenvolver doenças neurodegenerativas.
A neurologista destaca que manter uma rotina de atividade física, estimular constantemente o cérebro com leitura, novos aprendizados e atividades intelectuais, controlar doenças como hipertensão, diabetes e colesterol alto, evitar o tabagismo, reduzir o consumo de álcool e preservar a convivência social são medidas importantes para proteger a saúde cerebral.
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