06 janeiro, 2026

Desvios de R$ 56 milhões no MA: investigada nega participação em esquema ao MP e outros cinco ficam em silêncio


De acordo com o Ministério Público, a chefe do Setor de Compras de Turilândia, Gerusa de Fátima Nogueira Lopes, foi a única a falar durante os interrogatórios e negou participação no esquema. Prefeito, primeira-dama, vice-prefeito e todos os vereadores foram presos por envolvimento no caso.

Dos investigados ouvidos nesta segunda-feira (5) na operação que apura um esquema de corrupção superior a R$ 56 milhões em Turilândia (MA), envolvendo a Prefeitura e a Câmara Municipal, apenas uma pessoa prestou depoimento. A chefe do Setor de Compras do município, Gerusa de Fátima Nogueira Lopes, foi a única a falar durante os interrogatórios.

Segundo o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), Gerusa negou participação no esquema. De acordo com as investigações, ela auxiliava na gestão financeira dos recursos desviados e ocultava a não realização de contratos firmados entre a Prefeitura de Turilândia e as empresas envolvidas.

Ainda de acordo com o MP-MA, os outros cinco investigados ouvidos no mesmo dia não responderam às perguntas, exercendo o direito constitucional de permanecer calados durante os interrogatórios.

Os depoimentos foram realizados durante toda a manhã, na sede do MP em São Luís. Também foram ouvidos:

Eustáquio Diego Fabiano Campos. Ele é médico neurocirurgião e segundo o Ministério Público, atuava como agiota e emprestava dinheiro para campanhas políticas;
Clementina de Jesus Pinheiro - pregoeira do Município de Turilândia;
Wandson Jonath Barros - contador do município e apontado como controlador financeiro dos desvios, segundo o MP;
Janaína Soares Lima - ex-vice-prefeita de Turilândia. Segundo o MP, ela é uma das proprietárias do Posto Turi que teria recebido mais de R$ 17 milhões entre 2021 e 2025.
Marlon de Jesus Arouche Serrão - marido da ex-vice-prefeita e proprietário do Posto Turi.
Os depoimentos devem ser realizados até a quarta-feira (7). As oitivas estavam, inicialmente, previstas para começar no dia 29 de dezembro, mas foram remarcadas após pedido da defesa da maioria dos investigados, que alegou não ter tido acesso às investigações e ao processo durante o recesso.

O Ministério Público diz que o adiamento dos depoimentos não representou atraso na investigação. O Gaeco destacou que a medida garantiu o direito de defesa dos investigados, que após o pedido agora tiveram acesso completo às provas reunidas até o momento.

Gestores, empresários, servidores, vereadores e um ex-vereador são investigados por integrar o esquema de corrupção investigados na Operação Tântalo II, que investiga o desvio de mais de R$ 56 milhões por meio de empresas criadas de forma fictícia pelo prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil) e seus aliados.

Prefeito e primeira-dama serão ouvidos

O prefeito José Paulo Dantas Silva Neto, conhecido como Paulo Curió e a primeira-dama Eva Maria Oliveira Cutrim Dantas, conhecida como Eva Curió, serão ouvidos nesta terça-feira (6) pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA).

De acordo com o Ministério Público, Paulo Curió é apontado como uma liderança da organização criminosa e destinatário de grande parte dos valores desviados.

Na decisão da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), os desembargadores citam investigação do Ministério Público que detalha como uma organização criminosa estruturada se instalou na Prefeitura e na Câmara Municipal de Turilândia, a 157 km de São Luís, para desviar recursos públicos, principalmente das áreas da Saúde e da Assistência Social.

Os atos de corrupção motivaram a criação da Operação Tântalo II, deflagrada na última segunda-feira (22), que levou à prisão o prefeito Paulo Curió (União Brasil) e a vice-prefeita Tânia Mendes. A ação é um desdobramento da Operação Tântalo, realizada pelo GAECO em fevereiro deste ano.

Via G1 MA

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