
A crise institucional na Federação Maranhense de Futebol (FMF) terá um novo capítulo na próxima segunda-feira (16). Uma audiência de conciliação, determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi agendada para as 9h e será realizada integralmente por videoconferência. A informação é do GloboEsporte.com.
De acordo com a publicação, o encontro virtual reunirá representantes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), do Ministério Público do Maranhão (MPMA), o presidente afastado Antônio Américo e a atual interventora judicial, Susan Lucena. A audiência deve ser presidida pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, origem das decisões judiciais após ações do MP.
O objetivo central da reunião é definir um cronograma seguro para encerrar a intervenção e devolver a normalidade administrativa à entidade.
O que for resolvido na audiência deve ser encaminhado ao STF para deliberação sobre a sequência do rito que deve culminar com as eleições.
Durante a audiência, Susan Lucena deverá apresentar um relatório detalhado sobre o que foi levantado durante o período em que esteve à frente da federação.
Para evitar maiores problemas aos clubes maranhenses decorrentes da falta de acesso da FMF à CBF, a eleição para a definição da nova diretoria é o anseio de toda comunidade do futebol profissional do Maranhão.
No entanto, mesmo com intervenção, a FMF organizou torneios de base, a Série B do Campeonato Maranhense de 2025, e encerrou recentemente a Série A do Estadual de 2026. Deu início também ao congresos técnico para tratar da Série B de 2026.
CBF contesta gestão compartilhada
Embora tenha confirmado participação remota na audiência, a CBF já manifestou formalmente ser contrária à criação de uma gestão compartilhada na FMF. Atualmente, a Justiça autoriza a atuação simultânea da interventora judicial e de um representante indicado pela Confederação, modelo que a CBF considera inadequado para o funcionamento do futebol organizado. Este assunto levantado pela entidade deve ser debatido também na audiência.
A entidade argumenta que segue as normas internacionais da FIFA, que exigem autonomia das federações e proíbem interferência de pessoas ou instituições externas, incluindo o Estado. A CBF alerta que a manutenção de alguém de fora do sistema do futebol na administração pode acarretar punições severas, como a exclusão de clubes brasileiros de competições internacionais (Libertadores e Mundial) e suspensões à Seleção Brasileira.
Linha do tempo
O histórico da intervenção na Federação Maranhense de Futebol (FMF) envolve um embate jurídico e administrativo entre o Ministério Público, a Justiça maranhense, a diretoria afastada e a CBF.
A intervenção teve início em 4 de agosto de 2025, quando o juiz Douglas de Melo Martins determinou o afastamento cautelar de toda a diretoria da entidade, incluindo o presidente Antônio Américo. A medida foi tomada após uma Ação Civil Pública do Ministério Público do Maranhão, que indicou irregularidades na gestão de recursos e a criação do Instituto Maranhense de Futebol sem justificativa clara.
Naquela ocasião, a advogada Susan Lucena Rodrigues foi nomeada interventora com a missão de realizar a transição administrativa em um prazo inicial de 90 dias. Em 14 de agosto de 2025, a interventora apresentou sua equipe de trabalho e revelou ter identificado movimentações financeiras suspeitas que somavam cerca de R$ 88 mil.
Ainda em agosto de 2025, o desembargador Marcelo Carvalho Silva validou o afastamento da cúpula diretiva, mas impôs diretrizes para a gestão provisória, como a divulgação de relatórios mensais para garantir transparência e a realização de uma auditoria independente sobre as contas de 2020 a 2024. Por outro lado, a CBF ingressou com recursos defendendo a autonomia das entidades esportivas e alertando para o risco de punições da FIFA caso houvesse interferência externa contínua.
Em dezembro de 2025, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, manteve Susan Lucena no cargo e o afastamento de 16 dirigentes. Contudo, o ministro decidiu suspender qualquer alteração estatutária ou a convocação de novas eleições até a realização de uma audiência de conciliação.
No cenário atual, a intervenção já dura mais de sete meses, superando o prazo original previsto. Com o objetivo de encontrar uma solução para a transição definitiva e validar a marcação de eleições, uma audiência de conciliação virtual foi marcada para a próxima segunda-feira, 16 de março, reunindo todas as partes envolvidas.
Via Isaías Rocha
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