07 maio, 2026

Audiência pública sobre piso dos profissionais farmacêuticos é presidida pelo deputado Hildo Rocha

Durante audiência pública realizada na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados (CFT), o deputado federal Hildo Rocha reforçou o discurso em defesa da valorização dos profissionais farmacêuticos e aproveitou o debate para fazer críticas ao que classificou como “excesso de oferta” de cursos superiores no Brasil, em diversas áreas. O parlamentar presidiu a sessão que discutiu impactos financeiros e estruturais relacionados à remuneração desses profissionais no serviço público.

Relatório

Ao destacar a importância das contribuições apresentadas durante a audiência, Hildo Rocha afirmou que o debate ampliou sua compreensão sobre o tema e servirá de base para a elaboração do relatório que deverá apresentar nas próximas semanas.

“Ouvimos representantes do governo federal, representantes dos municípios, através da CNM, representantes dos profissionais farmacêuticos, representantes dos proprietários de drogarias e farmácias, além de vários deputados e deputadas. Dados importantes foram apresentados nessa audiência pública para embasar o meu relatório”, declarou.

Desigualdade salarial

O deputado chamou atenção para a desigualdade salarial enfrentada pelos farmacêuticos em diferentes regiões do país e criticou a disparidade de remuneração entre profissionais com a mesma formação acadêmica.

“O que nós pudemos perceber é que existe uma discrepância muito grande do pagamento dos profissionais farmacêuticos. Alguns lugares pagam o valor X e outros pagam o valor Y. Não pode ter duas categorias de profissionais farmacêuticos. Não existe isso”, afirmou.

Hildo Rocha atribuiu parte da desvalorização salarial ao aumento expressivo da oferta de cursos universitários e ao crescimento do número de profissionais no mercado. Segundo ele, a expansão desenfreada das graduações tem provocado distorções no setor.

“É em função desse excesso de oferta de profissionais que o salário é menor”, disse o parlamentar, ao defender uma atuação mais rígida dos conselhos profissionais na fiscalização da abertura de cursos superiores.

O deputado também fez um paralelo entre a situação dos farmacêuticos e a realidade enfrentada atualmente pelos médicos. Para ele, a abertura excessiva de cursos de medicina pode provocar, em pouco tempo, uma queda significativa na remuneração de outras categorias da saúde, a exemplo dos médicos.

“Daqui a pouco vão ofertar salário de 4 ou 3 mil reais para o médico trabalhar 20 horas, porque já tem muita faculdade, já tem muita oferta de formação da mão de obra e menos demanda”, alertou.

Ao relembrar sua experiência como prefeito do município de Cantanhede, Hildo Rocha afirmou que, há duas décadas, a escassez de farmacêuticos obrigava as prefeituras a oferecer salários elevados para atrair profissionais.

“Quando fui prefeito na cidade de Cantanhede, era muito difícil conseguir um bioquímico e um farmacêutico. Eu confesso que pagava até o mesmo que ganhava um médico”, relatou.

Apesar de reconhecer o impacto financeiro que um possível reajuste salarial poderá causar aos pequenos municípios, o deputado defendeu a busca de alternativas de financiamento para evitar sobrecarga nas prefeituras.

“Há impacto orçamentário nesses pequenos municípios, há sim, mas nós vamos buscar uma fonte de financiamento para que os municípios não arquem mais uma vez com o serviço que ele é obrigado a ofertar e que o Sistema Único de Saúde não lhe repassa da forma correta”, destacou.

A fala do parlamentar reforça uma agenda política voltada ao debate sobre financiamento da saúde pública, valorização profissional e sustentabilidade fiscal dos municípios — temas que vêm ganhando espaço no Congresso Nacional diante das frequentes reclamações de prefeitos sobre o aumento das obrigações sem a correspondente ampliação dos repasses federais.

Ao encerrar a audiência, Hildo Rocha afirmou que pretende concluir o relatório “de forma consciente e com responsabilidade” dentro de aproximadamente 15 dias, sinalizando que o documento deverá buscar equilíbrio entre a valorização dos profissionais farmacêuticos e a capacidade financeira das administrações municipais.

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