
Durante audiência pública realizada na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados (CFT), o deputado federal Hildo Rocha reforçou o discurso em defesa da valorização dos profissionais farmacêuticos e aproveitou o debate para fazer críticas ao que classificou como “excesso de oferta” de cursos superiores no Brasil, em diversas áreas. O parlamentar presidiu a sessão que discutiu impactos financeiros e estruturais relacionados à remuneração desses profissionais no serviço público.
Relatório

“Ouvimos representantes do governo federal, representantes dos municípios, através da CNM, representantes dos profissionais farmacêuticos, representantes dos proprietários de drogarias e farmácias, além de vários deputados e deputadas. Dados importantes foram apresentados nessa audiência pública para embasar o meu relatório”, declarou.
Desigualdade salarial
O deputado chamou atenção para a desigualdade salarial enfrentada pelos farmacêuticos em diferentes regiões do país e criticou a disparidade de remuneração entre profissionais com a mesma formação acadêmica.
“O que nós pudemos perceber é que existe uma discrepância muito grande do pagamento dos profissionais farmacêuticos. Alguns lugares pagam o valor X e outros pagam o valor Y. Não pode ter duas categorias de profissionais farmacêuticos. Não existe isso”, afirmou.
Hildo Rocha atribuiu parte da desvalorização salarial ao aumento expressivo da oferta de cursos universitários e ao crescimento do número de profissionais no mercado. Segundo ele, a expansão desenfreada das graduações tem provocado distorções no setor.
“É em função desse excesso de oferta de profissionais que o salário é menor”, disse o parlamentar, ao defender uma atuação mais rígida dos conselhos profissionais na fiscalização da abertura de cursos superiores.
O deputado também fez um paralelo entre a situação dos farmacêuticos e a realidade enfrentada atualmente pelos médicos. Para ele, a abertura excessiva de cursos de medicina pode provocar, em pouco tempo, uma queda significativa na remuneração de outras categorias da saúde, a exemplo dos médicos.
“Daqui a pouco vão ofertar salário de 4 ou 3 mil reais para o médico trabalhar 20 horas, porque já tem muita faculdade, já tem muita oferta de formação da mão de obra e menos demanda”, alertou.
Ao relembrar sua experiência como prefeito do município de Cantanhede, Hildo Rocha afirmou que, há duas décadas, a escassez de farmacêuticos obrigava as prefeituras a oferecer salários elevados para atrair profissionais.
“Quando fui prefeito na cidade de Cantanhede, era muito difícil conseguir um bioquímico e um farmacêutico. Eu confesso que pagava até o mesmo que ganhava um médico”, relatou.
Apesar de reconhecer o impacto financeiro que um possível reajuste salarial poderá causar aos pequenos municípios, o deputado defendeu a busca de alternativas de financiamento para evitar sobrecarga nas prefeituras.

A fala do parlamentar reforça uma agenda política voltada ao debate sobre financiamento da saúde pública, valorização profissional e sustentabilidade fiscal dos municípios — temas que vêm ganhando espaço no Congresso Nacional diante das frequentes reclamações de prefeitos sobre o aumento das obrigações sem a correspondente ampliação dos repasses federais.
Ao encerrar a audiência, Hildo Rocha afirmou que pretende concluir o relatório “de forma consciente e com responsabilidade” dentro de aproximadamente 15 dias, sinalizando que o documento deverá buscar equilíbrio entre a valorização dos profissionais farmacêuticos e a capacidade financeira das administrações municipais.
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