
Em entrevista ao Painel Eletrônico, um dos principais programas jornalísticos da Rádio Câmara, o deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA), relator do Projeto de Lei 1559/21 na Comissão de Finanças e Tributação, explicou que as adequações que fez na proposta, que estabelece o piso salarial nacional dos farmacêuticos, permitem viabilizar a medida sem comprometer as contas públicas.
Aprovado por unanimidade na Comissão de Finanças e Tributação o parecer do deputado Hildo Rocha, fixa o piso salarial nacional de R$ 6.500 para farmacêuticos dos setores público e privado. O texto também prevê adicional de 10% sobre o piso para os profissionais que exercerem a função de responsável técnico, além de reajuste anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com referência a 2022.
O deputado maranhense explicou que com a atualização monetária a remuneração mínima para os farmacêuticos seria, se entrasse em vigor agora, mais de 8 mil reais. “O piso, que no texto está em R$ 6.500,00 sendo reajustado hoje passaria para mais de 8 mil reais”, explicou.
Fonte de recursos para viabilizar o piso
Durante a análise na Comissão de Finanças e Tributação, o deputado Hildo Rocha teve que medir o impacto financeiro da proposta, pois os farmacêuticos do serviço público estão incluídos na proposta. O deputado, explicou que o impacto financeiro estimado é de R$ 293 milhões para a União, estados e os municípios. Para cobrir essa despesa, o relator propôs o cancelamento de incentivos fiscais no valor de mais de R$ 700 milhões.

“O impacto é R$ 293 milhões, tanto para municípios, estados e União. Com base nesse dado, nós fomos buscar a fonte para compensar esse aumento de despesa e encontramos fonte de custeio que serão transferidos para o Fundo Nacional de Saúde”, afirmou.
Valorização profissional e responsabilidade na saúde
Questionado sobre as resistências do setor privado à proposta, o deputado explicou que sua atuação na Comissão de Finanças e Tributação se concentrou na compatibilidade orçamentária e financeira do projeto, considerando as exigências legais para a criação de despesas públicas.
Hildo Rocha ressaltou a importância da remuneração adequada dos farmacêuticos, considerando a formação exigida e as responsabilidades desses profissionais. Para ele, a valorização salarial é fundamental para reconhecer o trabalho desempenhado e estimular a permanência de profissionais qualificados no mercado.

“Os municípios não terão nenhum tipo de prejuízo, os estados também não terão e nós fizemos a adequação necessária. O profissional farmacêutico tem que ser remunerado de acordo com a sua responsabilidade”, enfatizou.
Ao defender a importância da categoria para o funcionamento dos serviços de saúde, o deputado foi enfático: “Não existe saúde pública sem os profissionais farmacêuticos, aliás são os profissionais mais antigos vinculados à saúde”.
Mobilização nas redes sociais
A proposta tem despertado forte mobilização entre os farmacêuticos de todo o país. Durante a entrevista ao Painel Eletrônico, foi destacado que o projeto alcançou o primeiro lugar no ranking de engajamento nas redes sociais entre as propostas em discussão na Câmara dos Deputados nos últimos dias.
O interesse demonstrado pela categoria reflete a expectativa em torno da criação de um piso nacional que estabeleça uma referência mínima de remuneração para os profissionais.
Após a aprovação na Comissão de Finanças e Tributação, o PL 1559/21 seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), próxima etapa de sua tramitação na Câmara dos Deputados, em seguida irá para ser analisado pelo Senado Federal.

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