O Maranhão deve enfrentar um cenário de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal durante o trimestre de setembro a novembro de 2026, segundo as projeções apresentadas no painel sobre os impactos associados ao El Niño.

O fenômeno climático, que tende a se intensificar ao longo de 2026, pode trazer consequências para a agricultura, os recursos hídricos e o risco de incêndios no estado.
De acordo com a previsão climática do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o Maranhão está entre os estados da Amazônia Legal onde são esperadas precipitações abaixo da média no trimestre. Ao mesmo tempo, a previsão indica temperaturas superiores à média em toda a Amazônia Legal e no Pantanal.
O período mais seco também aumenta a atenção para a disponibilidade de água. O documento aponta que a persistência de períodos com pouca chuva favorece o ressecamento da vegetação e limita a recuperação dos níveis dos rios e da umidade do solo.
Na avaliação da estiagem, foi identificado um corredor de agravamento no norte e nordeste da Amazônia, incluindo sub-bacias localizadas em porções do Maranhão.
Segundo o painel, a tendência de agravamento da estiagem merece maior vigilância porque, caso persista, pode levar essas áreas a condições mais críticas e ampliar a possibilidade de impactos sobre vazões, disponibilidade hídrica e navegabilidade em trechos considerados sensíveis.
IMPACTOS NA AGRICULTURA
O setor agropecuário também aparece entre os segmentos que podem ser afetados. Para a Região Nordeste, o documento prevê uma combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, cenário que pode prejudicar o milho de terceira safra e reduzir a produtividade das pastagens, especialmente em áreas de sequeiro.
Embora o tempo seco possa favorecer a colheita do algodão, a condição climática poderá dificultar a implantação da safra 2026/2027 no Maranhão e no Piauí.
RISCO DE INCÊNDIOS
O cenário também chama atenção para a ocorrência de fogo na Amazônia Legal. Julho e agosto de 2026 registraram os menores números de ocorrências da série histórica para esses meses, com agosto apresentando 56% menos registros que a média.
No entanto, entre julho e agosto houve aumento de 107% nas ocorrências, indicando uma rápida intensificação da atividade de fogo.
Sob forte influência do El Niño, setembro é projetado como o mês com maior número de ocorrências de fogo do ano. A previsão aponta maior severidade no chamado arco leste da Amazônia, que inclui Tocantins, Pará, Maranhão e Mato Grosso.
O documento ressalta, porém, que as projeções representam uma maior propensão a situações potencialmente críticas, e não uma previsão de que determinados eventos ou desastres necessariamente ocorrerão.
A materialização dos impactos dependerá da evolução das condições atmosféricas e oceânicas, além das condições locais de umidade, exposição e vulnerabilidade.
Diante desse cenário, o painel recomenda o acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas, além da atenção aos avisos e alertas oficiais.
Entre as orientações aos estados e municípios estão a atualização dos planos de contingência, o fortalecimento do monitoramento e da comunicação de riscos e a articulação entre os órgãos de proteção e Defesa Civil.
Para a população, a recomendação é manter atualizado o cadastro para receber alertas das Defesas Civis, acompanhar as previsões oficiais e conhecer os riscos existentes na cidade e no bairro, além das áreas seguras e das rotas de fuga previstas nos planos locais.
O Informante















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